Padre gay argentino reflete sobre igreja e diversidade: “não basta apenas pedir perdão”

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    Em evento pela diversidade, sacerdote homossexual disse que não tem medo em falar de sua sexualidade e diz que religião precisa reparar os danos às comunidades

    O discurso inclusivo de um padre argentino foi o destaque do Festival Encuentros Mágicos, promovido na última semana na cidade de Tilcara, na província argentina de Jujuy. Daniel Ruiz Díaz, sacerdote missionário da Igreja Católica Ecumênica foi um dos convidados do evento, onde falou sobre sua experiência como padre e como homem #gay.

    “Sempre vi duas coisas com clareza desde a infância. A primeira era minha identidade sexual, pois sempre me senti como uma criança homossexual, como um jovem #homossexual e agora como um homem homossexual”, disse Ruiz Díaz ao jornal local Salta/12, “a segunda é que queria ser um sacerdote para poder ser instrumento e ajudar os demais”.

    “Quando me falam de diversidade, sinto que é luz, porque é preciso levar luz aos lugares onde há dor” (Reprodução)

    Organizado pelo Museo Nacional Terry, o Festival buscou reunir diferentes experiências de vida e por isso o convite ao padre foi importante. Seu trabalho religioso se soma ao ativismo que desenvolve, especialmente junto aos direitos humanos de mulheres travestis e trans.

    De seu primeiro contato com a diversidade, o padre disse: “Participei da primeira Marcha do #Orgulho, há 30 anos. Fui como um seminarista espectador, porque para mim, àquela altura, era o pecado que desfilava, era o obscuro, era a imoralidade”.

    “Fui entendendo graças a muita gente maravilhosa, a amigos da diversidade, que foram a maior bênção que podia ter por todos os lados. Por isso quando me falam de diversidade, sinto que é luz, porque é preciso levar luz aos lugares onde há dor, discriminação, estigma, negação.”

    O pároco ainda diz que, apesar de a igreja já ter pedido perdão, não basta apenas desculpar-se: “é preciso reparar tanto dano feito onde se violentou e onde se doutrinou tanta gente”. Por esse motivo, ele conta que se entrega ainda mais à causa. “Não tenho nenhum medo em dizer que sou um homem gay, um homem sacerdote e um homem de serviço ao próximo.