Lutador de MMA, Cris Macfer defende criação de categoria para pessoas transgênero

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    O lutador Cris Macfer, dono de uma carreira de 15 anos no MMA, vai deixar as categorias femininas. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele afirmou que a luta em Três Rios (RJ) foi sua última como uma mulher e que deve submeter-se como objeto de uma pesquisa sobre a relação entre a hormonização e a mudança de categorias.

    Cris Macfer (Reprodução/Instagram)

    Vivendo há seis anos como transgênero, Cris defendeu a inclusão de categorias T para o esporte:

    “O MMA está muito atrasado e é a modalidade de combate mais visada, com maior reconhecimento e mais mídia”, disse, “então se abrirmos este caminho ali vai haver uma abertura também em outras modalidades”.

    Na entrevista, o lutador relembrou sua história desde o princípio, na cidade mineira de Ervália, até seus três títulos mundiais no hapkidô won kisul (modalidade sul coreana). Comentou também a resistência que enfrentou, primeiro quando acreditava ser uma mulher lésbica e, posteriormente, pela falta de pesquisas sobre a população trans em esportes como o seu.

    “A sociedade vem resistindo a atletas trans porque não temos trazido as informações com cuidado, de forma cientítica e didática”, disse. Questionado sobre o panorama atual, ele defendeu que, até que hajam estudos que embasem uma recategorização, os atletas que tomaram hormônios continuem sendo respeitados dentro das competições de seus gêneros biológicos.

    Para ingressar em categoria masculinas, Cris submeteu seu próprio processo de hormonização como um projeto de pesquisa na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Ele será acompanhado como objeto de um estudo envolvendo o tema.