Jogador gay australiano diz “ter medo” de jogar no Catar

    Veja também

    Josh Cavallo afirmou nesta segunda (8) que penalidades do país o assustam: “realmente não gostaria de ir ao país para isso”

    Declaração veio em uma entrevista ao podcast Guardian’s Today in Focus, onde o australiano comentou sobre as restrições e penas que o país aplica a homossexuais

    O lateral-eaquerdo australiano Josh Cavallo, um dos poucos jogadores de futebol assumidamente gays da atualidade, revelou receio de jogar na Copa do Mundo do Catar em 2022. A declaração veio em uma entrevista ao podcast Guardian’s Today in Focus, onde o australiano comentou sobre as restrições e penas que o país aplica a homossexuais:

    “Eu li algo sobre aplicarem pena de morte a gays no Catar, então é algo que me assusta e realmente não gostaria de ir ao país para isso”, disse o atleta do Adelaide United nesta segunda-feira (8). “Isso me entristece. No fim das contas a Copa do Mundo será no Catar e uma das grandes conquistas para um jogador profissional é jogar por seu país, mas saber que este é um lugar que não apoia pessoas gays e que coloca nossas próprias vidas em risco me assusta e me faz reavaliar: será que minha vida é mais importante que algo realmente bom para minha carreira?”

    “Eu li algo sobre aplicarem pena de morte a gays no Catar, então é algo que me assusta e realmente não gostaria de ir ao país para isso”, disse o atleta

    A homossexualidade é proibida por várias leis no Catar, com penas que podem ir de um ano a uma década na prisão. Para islâmicos sob a lei da Sharia, a penalidade poderia ser a pena de morte, segundo o jornal The Guardian. O país foi eleito em 2019 como o segundo destino mais perigoso para pessoas LGBTQIA+ no ranking LGBTQ+ Danger Index.

    “saber que este é um lugar que não apoia pessoas gays e que coloca nossas próprias vidas em risco me assusta” (Josh cavallo)

    Apesar das leis, a organização da Copa do Mundo do Catar tem insistido em afirmar que atletas e fãs poderão ficar livres para expressar sua sexualidade dentro dos limites culturais do país. Deste modo, hastear uma bandeira do orgulho em um estádio, por exemplo, estaria liberado – já demonstrações públicas de afeto seriam uma prática mal vista mesmo entre casais heterossexuais. Nasser al-Khater, chefe executivo do torneio, declarou em 2019 que “qualquer fã de qualquer gênero, orientação [sexual], religião ou raça deve assegurar-se que o Catar é um dos países mais seguros do mundo – e eles serão bem-vindos”.

    Cavallo assumiu publicamente sua homossexualidade em outubro de 2021. O anúncio, feito em redes sociais, lhe rendeu apoio de torcedores e colegas

    Cavallo assumiu publicamente sua homossexualidade em outubro de 2021. O anúncio, feito em redes sociais, lhe rendeu apoio de torcedores e colegas. Na entrevista de segunda, o jogador disse que tem recebido pedidos de ajuda inclusive de outros atletas, que ainda vivem sua sexualidade em segredo: “Eu não me escondia apenas de meus colegas, eu me escondia da minha família, dos meus amigos, de todos que me cercavam, então eu só podia relaxar e seu eu mesmo quando estava sozinho”, afirmou.