Médico recusa procedimento de histerectomia a mulher lésbica, que o acusa de homofobia

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    Segundo relato, profissional teria citado “mudança” de orientação sexual como motivo para recusa

    Um médico recusou a cirurgia de histerectomia a uma mulher lésbica e casada na Irlanda. Segundo o profissional, ela poderia arrepender-se futuramente e deixar sua mulher para levar a vida com um homem.

    Rachel Champ e a mulher, Karen (Reprodução/Mirror UK)

    A notícia é do tabloide The Mirror, que conta que Rachel Champ, de 27 anos, descobriu cistos no ovário em 2020, após sofrer com dores por mais de uma década. “Sinto que estou eprdendo uma parte grande de minha vida por causa da dor que eu sinto”, disse Champ. Segundo ela, seria um obstáculo constante em vários aspectos de sua vida.

    Durante todo o período, a moça alega ter sido atendida por ginecologistas negligentes, que preferiam receitá-la analgésicos a resolver seu problema. Após atravessar uma bateria de testes, incluindo ultrassom, ressonância magnética e tomografias, Rachel confirmou o rompimento dos cistos e procurou um novo médico, considerando novas opções – e aí que a histerectomia apareceu.

    “Eu não fui àquela sessão para solicitar uma histerectomia, mas considerando que tentei a maioria das opções menos invasivas, eu simplesmente questionei se a cirurgia poderia ser uma opção, se todo o resto ainda não tivesse efeito sobre a minha dor”, contou Champ ao jornal.

    Rachel Champ e a mulher, Karen (Reprodução/Mirror UK)

    Ao lado da mulher, Karen, Rachel se abriu com o ginecologista, que a respondeu dizendo que a cirurgia não seria uma opção para ela. “Ele disse que seria outra conversa se eu tivesse 45 anos, mas como ainda tinha cerca de 15 anos de fertilidade, ele não consideraria uma opção”.

    O casal chegou a questionar o profissional, disse que haviam outras opções – inclusive a gravidez de Karen – caso a dupla optasse pela maternidade. Em retorno, Rachel conta que acabou ouvindo: “Não quero que você se arrependa caso as circunstâncias mudem para você. Talvez você deixe sua parceira, sua orientação sexual mude, você conheça alguém e ele queira filhos”.

    Rachel Champ e a mulher, Karen (Reprodução/Mirror UK)

    As duas contam que deixaram a consulta aos prantos, mas que resolveram usar a experiência para auxiliar pessoas LGBTQIA+. Rachel diz que oficializou uma queixa contra o médico, a fim de impedir novos episódios de discriminação médica. “Espero que isso evidencie as barreiras que a comunidade LGBTQ enfrenta ao solicitar apoio médico e como as crenças de profissionais podem causas consequências desastrosas para nós”.