Casal denuncia transfobia com perseguição em corrida de Uber em São Paulo

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    Isis Broken e Lourenzo Gabriel, que está gravido de 35 semanas, gravaram parte da abordagem do motorista, que chegou a correr atrás deles no último dia 12

    Um casal denunciou um ataque transfóbico em uma corrida pelo aplicativo Uber, ocorrida em São Paulo na última sexta (12). Lourenzo Gabriel, 23 anos, e Isis Broken, 27, postaram um vídeo onde mostram parte do ataque feito por um motorista à dupla, que voltava de uma consulta de pré-natal na UBS (Unidade Básica de Saúde) Santa Cecília, região central da cidade de São Paulo – Lorenzo está grávido de 35 semanas.

    Lourenzo Gabriel e Isis Broken: ataque transfóbico com perseguição em Uber de São Paulo (Reprodução/Instagram)

    Segundo a denúncia, o motorista começou a intrometer-se na conversa de Lourenzo e Isis, dizendo que a gravidez masculina “não existe” e que isso era “coisa da cabeça”. Questionado pelo casal, o funcionário teria ficado progressivamente mais agressivo, reclamando, inclusive, do destino da corrida, em Carapicuíba (Grande SP).

    No post abaixo, Lorenzo conta a história. No vídeo, ele mostra o mal estar e as dores após o episódio:

    “Eu, homem trans com 35 semanas de gestação tinha acabado de sair de uma consulta de pré natal com a minha esposa @isisbroken em uma corrida da uber indo para casa, até que o motorista começar a se intrometer no meio da nossa conversa falando que eu era uma mulher grávida e eu, o corrigi falando que eu era um homem trans que estava gestando e ele insistia falando que ‘desculpa mas isso não existe e que era coisa da cabeça’ e eu continuei tentando explicar e o motorista foi ficando exaltado até que ele começou a me ofender e eu falei que pra ele ter um pensamento assim e falar o que ele estava falando pra mim, que eu era burro e que isso não existia, que ele era um bosta e foi onde ele começou a ameaçar a me bater, logo pedi pra Isis ligar para minha mãe e falei que meu padastro estava em casa e era policial, foi onde ele deu meia volta (ja na rua da minha casa) acelerou o carro (quase bateu) e falou que eu iria ver quem era o bosta e que ele iria mostrar que era louco, eu tentei inclusive pular do carro de nervoso, foi onde a isis me puxou, ele parou o carro e nós saímos correndo com ele atrás da gente, por sorte ja estavamos próximos de casa.”

    Como apurou o site Ponte Jornalismo, este não é o primeiro ataque sofrido pelo casal, natural de Aracaju (SE), que mudou-se para São Paulo após passar por episódios de discriminação na cidade.

    Em nota, a Uber informou que a conta do motorista identificado como Silvio foi desativada assim que empresa tomou conhecimento do ocorrido. O aplicativo estaria à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “A Uber defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover o respeito, igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+”, afirma a empresa na nota.