Sobre o festival

    Veja também

    Atriz que vive Power Ranger lésbica fala sobre visibilidade

    Tessa Rao interpreta Izzy Garcia, a Ranger verde e...

    Prefeito do Recife não assina lei da visibilidade lésbica

    Projeto, aprovado pela Câmara Municipal, não foi assinado por...

    Uruguai registra queda em diagnósticos anuais de HIV

    Em 2020, o país apresentou discreta redução no número...

    Rio lança campanha de prevenção ao HIV

    Prefeitura usou Dia Mundial de Combate à Aids para...

    #PensoLogoResisto

    Ano passado comemoramos os 25 anos do Mix Brasil, e o texto de introdução do catálogo mencionava a “onda de obscurantismo conservador” e terminava com uma frase premonitória, dizendo que o Festival “é e continuará sendo o mais consistente ato de resistência cultural LGBT do nosso país”. Não era possível naquele momento prever que o sentimento de insegurança e a retórica LGBTfóbica escalariam e atingiriam não apenas os grupos da comunidade historicamente marginalizados. Nessa 26ª edição, está claro que o papel do Mix Brasil é talvez ainda mais necessário do que nunca.

    A Resistência de que falamos hoje não se refere apenas a Direitos Civis e Humanos, tanto os conquistados quanto os que estavam entrando em pauta. É o própria Cultura que está em risco.

    Mas é para isso que estamos aqui, existindo e resistindo.

    Neste ano são mais de 100 filmes exibidos, com um destaque para o grande número de diretorAs e uma retrospectiva histórica da cinematografia lés. Entre os brasileiros, que vêm ganhando a cada ano maior peso na programação, estreamos o Panorama Nacional, que se soma à Mostra Competitiva com um total de 20 longas, um recorde. Vale destacar a poderosa produção de curtas que veio do Rio de Janeiro, prova da resistência artística na cidade que tem sofrido mais acentuadamente a crise econômica e os efeitos do ultraconservadorismo. São Paulo continua o maior e mais diverso polo produtor, e as regiões Norte e Nordeste têm desenvolvido novas linguagens cinematográficas muito particulares e com forte presença de personagens e temas LGBTQI.

    Para mostrar que somos muitos e estamos marcando presença em todas as áreas do audiovisual, abrimos o eixo Games em parceria com a Abragames e o BIG Festival.

    A Literatura volta com força total em mesas e workshops com mais de 60 nomes fundamentais do cenário editorial nacional.

    Mix Music e Dramática em Cena, como sempre, fazem um recap de espetáculos e nomes que marcaram as cenas musicais e das artes cênicas.

    E para entender melhor o momento e trocar ideias teremos a quarta edição da nossa Conferência, produzida em parceria com Pajubá e uma série de grupos para falar como ficam Política, Mercado, Saúde, Identidades e Feminismo nesses tempos.

    João Nery, um símbolo de coragem e persistência da comunidade trans mundial que nos deixou recentemente, é homenageado com o Ícone Mix.

    2018 foi muito difícil, e já sabemos que o ano que vem trará desafios ainda maiores. O 26º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade nos proporciona onze dias para pensarmos juntos nas mais inteligentes, empoderadoras e eficazes maneiras de resistir.

    Como na música de Johnny Hooker, que é tema do nosso trailer deste ano, “um novo tempo há de vencer pra que a gente possa florescer e amar, amar sem temer”.

    João Federici e Andre Fischer

    Previous articleVergel
    Next articleFicha Técnica