Símbolo sexual de Hollywood saiu do armário aos 75 anos, em 2008

Tab Hunter, ídolo e símbolo sexual de Hollywood nos anos 50, saiu do armário aos 75 anos

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Tab Hunter, ídolo e símbolo sexual de Hollywood nos anos 50, saiu do armário aos 75 anos. O visual louro e queimado de sol rendeu-lhe papéis românticos em filmes héteros, escondendo a verdadeira identidade gay. Colocado contra a parede numa entrevista para o New York Time, não só assumiu a homossexualidade mas também decidiu radicalizar.

Convidou o autor e roteirista Eddie Muller e, juntos, escreveram Tab Hunter Confidential – The Making of a Movie Star, editado pela Algonquin Books em 2005 e que continua um campeão de vendas.

A Autobiografia originou uma turnê pelos Estados Unidos, com a presença do ator autografando os exemplares da primeira edição. Hunter conta no livro histórias sobre a carreira, a relação com Anthony Perkins e revela que ele e Allen Glaser são companheiros na vida e sócios nos negócios, há muitos anos.

A atitude do ator me fez refletir sobre a hipocrisia geradora do Código de Hays, que sinalizou o que podia e o que não podia no cinema americano durante décadas.
De forma indireta, desenhou a estranha moral ianque, que cria o monstro e, depois, o antígeno que vacina contra o monstro.

Penso também na solidão da vida inteira dos gays e lésbicas que chegaram à terceira idade sem abrir as portas do armário,como nosso biografado de hoje.

Mesmo tendo relacionamento estável de muitos anos com Allen Glaser, Hunter precisou mentir e omitir.

Penso também na solidão da vida inteira dos que chegam à terceira (ou à quarta) idade sem abrir as portas pra deixar sair o bolor da mentira, como nosso biografado de hoje – a lufada do ar puro da verdade deve ter sido um alívio.
Antes tarde do que nunca.
Tab Hunter nasceu Arthur Kelm, em New York aos 12 de julho de 1931, filho de Gertrude Gelien Kelm e Charles Kelm.
Depois de muita violência doméstica a mãe mudou-se para a Califórnia com os dois filhos.

Voltou a usar apenas o nome de solteira e abreviou o sobrenome dos meninos também.

Hunter deixou a escola aos 15 anos para trabalhar na Guarda Costeira, mentiu sobre a idade para ser aceito e logo veio a decepção quando foi expulso por faltar com a verdade.

Cavalos sempre foram uma grande paixão. Assim, ao voltar à casa materna começou a trabalhar numa escola de equitação com fachadas de cinema.
Depois de demitido da Guarda Costeira conheceu o ator Dick Clayton, que por sua vez o apresentou ao agente Harrry Wilson, representante dos grandes da época, entre os quais Rock Hudson. O jovem aspirante ao estrelato tinha um “mau nome” : Arthur Gelien (nascido Kelm) não tinha nada a ver.

Olhando o louraço que esbanjava energia, Wilson disse “ We’ve got to tab you something.”, uma expressão cheia de americanismos que poderia significar, mais ou menos, ”temos que arrumar alguma coisa pra você” E hunter (caçador) porque caía bem num cavaleiro.

Começo da carreira

O começo da careira foi desanimador.
A fala no filme The Lawless (1950), de Joseph Losey, foi cortada.
No filme seguinte, Island of Desire (1952), de Stuart Heisler, a bela estampa teve melhor sucesso : semi-vestido no filme, atraiu as atenções dos espectadores gays, que se tornaram seus admiradores mais fiéis.

E o auge da popularidade veio em 1955, com Battle Cry, de Raoul Walsh, onde Tab fazia um marinheiro num triângulo amoroso.

Em setembro do mesmo ano, a poucos dias da estréia de Battle Cry, uma revista de americana de fofocas – Confidential – publicou uma matéria sobre certa “Festa do Pijama”, acontecida cinco anos antes (1950).

A polícia teria sido chamada a um local chamado Walnut Park e nada teria encontrado, além de uma baderna entre pessoas do mesmo sexo.
Hunter, apenas um participante da balada, teria sido multado em cinqüenta dólares.

Como a “escabrosa notícia” não foi divulgada na grande mídia na época, a carreira de Tab Hunter não morreu ali, mas começaram as saídas públicas e noticiário de noivados com Debbie Reynolds, Dorothy Malone e Natalie Wood.

Hunter estava vivenciando um complicado affaire (que durou anos) com o ator Anthony Perkins, um homossexual que mais tarde acabaria se “convertendo”.
A carreira prosperou até que o tempo se encarregou de transformar o gatão em jovem senhor e , logo, em senhor de meia idade.

Na década de 60, a gentileza natural jamais perdida rendeu um show de televisão que levava seu nome, peças teatrais, dramas, comedias e pequenas participações em filmes europeus
Em 1981, veio a virada. Tab Hunter dividiu a cena com a travesti Divine, no filme Polyester ,de John Waters , que se transformou em um cult.
Em 85, ainda com Divine, rodou Lust in the Dust, uma brincadeira de caubóis. Desde 2002, uma das redes a cabo nos Estados Unidos exibe o Hollywood on Horses, programa sobre equitação com Tab Hunter co-produzido por ele e seu companheiro Allan Glaser.

Símbolo sexual de Hollywood saiu do armário aos 75 anos, em 2008
Tab Hunter – Reprodução

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O Código de Hays (sempre bom lembrar… para não repetir)

Will Hays – advogado, membro da Igreja Presbiteriana e amigo íntimo do Presidente dos Estados Unidos Herbert Hoover – era presidente da Motion Picture Producers and Distibutors of America – MPPDA.

Obcecado por sexo, Hays estava convencido da influência nefasta de Hollywood sobre a moral e costumes norte-americanos.

Para formalizar a política censora mandou elaborar uma lista, a “Dont’s and Be Carefuls”, também conhecida como Código de Hays.

 “Don’ts” não permitia, entre outras coisas, nudez “libertina”, tráfico de drogas, escravidão branca, cenas de nascimento, cirurgias, cenas de primeira noite, homem e mulher deitados na mesma cama (inclusive casados), genitália de crianças, beijos excessivos ou prolongados, perversão sexual e miscigenação.

“Be Carefuls” deliberava sobre, entre outros temas, o uso da bandeira americana, execuções legais, roubo de trens e sugestão de vulgaridade.
Como não contava com o apoio do Estado, pois tal atitude violaria os princípios da democracia americana, Hays se empenhou em mobilizar os adeptos do catolicismo, representados por Martin Quigley.

 Assim, dez milhões de católicos assinaram um manifesto em favor da Legião da Decência, na esperança de livrar a sociedade norte-americana “da grande ameaça da lascívia no cinema”.

Um mutirão ecumênico – envolvendo vinte milhões de membros das igrejas protestantes e ainda organizações judaicas, a Liga Civil de Massachusetts e outras organizações da sociedade civil – ajudou a resgatar “a tradição da moral americana”.
****
Enquanto isso, a indústria do tabaco estreava o “merchandising” no cinema, pagando aos produtores por cada minuto de película em que os protagonistas aparecessem fumando…..

 Em julho de 1934, foi criada a PCA (Production Code Administration) para supervisionar o estrito cumprimento do Código de Hays.
Os filmes que estivessem de acordo com os padrões morais recebiam um “Selo de Aprovação”.
Os recusados perderiam automaticamente os canais de distribuição da poderosa MPPDA, de Hays.

A desobediência significaria uma multa de 25 mil dólares, fortuna para a época.

O Código de Hays, administrado pelo católico Joseph Breen até 1954, sobreviveu até 1956.

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