Casal trans tem parto de filha realizado no SUS e elogia: “Profissionais treinados”

Há um mês, Leonardo e Arielly tiveram sua primeira filha, Dandara

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A transfobia é constante em diversos setores institucionais, principalmente quando se pensa em hospitais. No entanto, o modo como Leonardo Oliveira, 20, e Arielly Germano, 22, foram tratados no Sistema Único de Saúde (SUS), no Ceará, durante a primeira gravidez do casal foi diferente, conforme o portal Universa, do Uol.

Não sei se dei sorte ou se os profissionais daqui estão bem preparados, mas foi incrível, do pré-natal ao pós-parto“, destaca Leonardo, que deu à luz Dandara há um mês. O casal está junto há quatro anos e se conheceram pelo Tinder. “A gente se viu e eu já dei um beijo nele. A gata é muito feminista. Ele até ficou assustado“, disse Arielly, que na época ainda tinha 17 anos.

O relacionamento progrediu rápido e logo o casal foi morar junto. Leonardo estava em processo de transição, e Arielly ainda não se identificava como uma travesti não binária, como é hoje. Ela tinha o sonho de ser mãe, mas ele, a princípio, não queria gestar uma criança. “Para mim, era um caos pensar nisso. Não queria que meu corpo tivesse traços do gênero com o qual não me identifico. Isso ia me fazer sentir muito mal“, conta Leonardo.

Arielly, Dandara e Leonardo (Foto: Reprodução)

Já que o desejo não era de ambos, o casal resolveu esperar mais um tempo. “Não sei se foi o instinto materno que bateu na porta, mas chegou um momento que senti a necessidade de ter um filho. Acho que falávamos tanto da Dandara, nos referindo a ela antes mesmo de ser gerada dessa forma, que mexeu com a minha cabeça“, disse Leonardo.

Após decidirem o momento de ter um filho, a primeira tentativa já foi com sucesso. Depois de fazer um teste e o resultado ser positivo, era hora, então, de procurar atendimento médico e começar o pré-natal, um momento que causa receio e pode ser traumático para muitas pessoas trans. Mas a experiência de Leo e Ari foi o oposto disso – encontraram pessoas preparadas para acompanhar todo o processo.

Estava esperando o caos, chuva de olhares tortos, comentários ruins e desrespeitosos, mas me surpreendi. Desde quando fui marcar. No dia, me perguntaram da mãe, disse que era eu e eles entenderam na hora“, lembra Leonardo. “Me respeitavam, não faziam perguntas toscas. Claro que tinham curiosidades normais, mas não ouvi perguntas invasivas“, acrescentou ele.

Leonardo ficou cinco dias com dores antes de Dandara nascer, sem que sua dilatação evoluísse – nem mesmo com o uso de medicação para acelerar o processo. Foi somente quando o coração da bebê começou a desacelerar que iniciaram uma cesariana. “Ela chegou ao mundo lindíssima, com dois quilos e 49 centímetros”, contou Leo. Ele lembra que até as mulheres cisgêneras que dividiram a ala de maternidade com ele foram acolhedora nesse momento.

Leonardo e Dandara (Foto: Reprodução)
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