Obra de Andy Warhol é arrematada por US$ 195 milhões, tornando-se a obra mais valiosa produzida no século XX

“Shot Sage Blue Marilyn” foi produzida em 1964 por Andy Warhol e foi arrematada no último dia 9 de maio, em Nova York

LEIA TAMBÉM

- Publicidade -
- Publicidade -

Andy Warhol (1928-1987) foi um pintor e cineasta norte-americano, importante artista da Pop Art, famoso por suas pinturas nas latas de sopa Campbell e pela sequência de retratos de Marilyn Monroe.

Um deles, semana passada, foi arrematado num leilão por 195 milhões de dólares, tornando-se a obra mais valiosa produzida no século XX.

“Shot Sage Blue Marilyn” fotografada por uma visitante na Christie's de Nova York | Foto: Angela Weiss / AFP
“Shot Sage Blue Marilyn” foi arrematado por 195 milhões de dólares – Foto: Angela Weiss/AFP

****

Andrew Warhola Jr nasceu no dia 6 de agosto de 1928, em Pittsburgh, Pennsylvania, filho caçula de Andrej (Andrew) Warhola e Julia Warhola, oriundos da atual República Tcheca.

O sobrenome original, Varchola, foi modificado depois da imigração.

Foi batizado na Igreja Católica Bizantina e teve dois irmãos: John e Paul. Estudou no Liceu de Schenley e no Museu Carnegie (hoje Carnegie Melon University).

Desde cedo, mostrou talento para desenho e pintura. A família juntou suas economias para enviá-lo ao Instituto de Tecnologia Carnegie.

Os resultados com o curso renderam-lhe um prêmio, a exposição dos seus trabalhos e uma menção honrosa em desenho. No entanto, o jovem artista sempre teve grande dificuldade para se expressar.

Seu inglês era deficiente, já que a mãe, com quem convivia direto, só falava tcheco.

Nesta altura da vida, Andrew Jr. foi acometido da “Dança de São Guido”, ou Coreia, uma afecção neurológica, sequela de febre reumática, na qual o paciente tem movimentos espasmódicos incontroláveis, trejeitos faciais (caretas) e cuja recuperação demora meses.

Uma outra sequela, a despigmentação de partes da pele também se fez presente, potencializando a já natural timidez.

Andrew aproveitou o tempo que passou deitado para desenhar, ouvir radio e colar fotos de artistas de cinema em volta da cama. Mais tarde, reconheceria que esta pausa, durante a convalescença, teria sido muito importante para a aprimorar sua personalidade e formar “o esqueleto” do que viria a ser sua obra.

New York, New York

A mudança para Nova York — junho de 1949 – à procura de emprego foi o começo de uma carreira bem sucedida como ilustrador.

Foi contratado pela revista Glamour para desenhar sapatos e, em seguida, ilustrou anúncios (teria sido um diretor de arte, no organograma atual das agências de publicidade) para revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar, capas de livros e cartões de agradecimento, já com o novo nome mais sofisticado: Andy Warhol.

Tornou-se amigo de Jasper Johns e Robert Rauschenberg, os mesmos que, mais tarde, sentir-se-iam constrangidos com seu jeito. Influenciado por Marcel Duchamp, focou o trabalho na reciclagem de imagem, o que subverteu a cultura de massa contemporânea.

Tudo girava em torno da cultura popular (pop) americana.

A Pop Art era uma forma experimental de expressão também para outros pioneiros como Roy Lichtenstein que se tornou sinônimo do movimento. Warhol, chamado de Papa do Pop, fez com que objetos da vida diária virassem opções na paleta do pintor.

The Factory

Em 1963, começou a filmar. Realizou filmes experimentais, propositadamente chatos: Empire (Império), que focalizava o Empire State Building do nascer ao por do sol e o chatérrimo Sleep (Dormir) – que mostrava durante oito horas seguidas um homem dormindo.

Como diretor de arte, Warhol cercou-se de assistentes talentosos, entre eles, Gerard Malanga, que o ajudou na feitura de silkscreens, esculturas, filmes e outros trabalhos na “The Factory”, agência e estúdio na Rua 47, mais tarde transferida para a Broadway.

Era seguido por uma espécie de séquito, que participou dos experimentos em cinema na “Factory Films”.

Figuras importantes do underground americano estrelaram os filmes de Wahrol, já tornado uma celebridade e aparecendo em jornais e revistas de fofocas e cercado de escritores, músicos e artistas plásticos.

São deste período os quadros encomendados da Sopa Campbell e da Coca-Cola e representações de famosos como Marilyn Monroe, Mao Tse-Tung, Troy Donahue, Jacqueline Kennedy, Elizabeth Taylor, Che Guevara, Elvis Presley, notas de dólar, imagens reproduzidas das seções policiais, cães da polícia atacando militantes dos direitos civis, fotos de crimes, acidentes automobilísticos.

Produzia em série, massificava as personalidades. Declarou que desejava ser uma máquina de fazer arte. E foi.

Andy Warhol
Andy Warhol – Reprodução

Sobrevivente

Em junho de 1968, Valerie Solanas, uma frequentadora da Factory e feminista revoltada, entrou no estúdio de Warhol e disparou 3 tiros contra ele.

O pintor, que chegou em estado muito grave ao hospital e ficou mais de dois meses internado, jamais se recuperou dos ferimentos e sangrava ao menor esforço.

Deu mais uma guinada na vida – apoiou artistas em início de carreira, escreveu sua biografia “The Philosophy of Andy Warhol (From A to B and Back Again), apresentou programas na televisão, dedicou-se ao abstracionismo e ao expressionismo, criando a série de pinturas “Oxidation” (Oxidação).

Com Gerard Malanga, criou a revista de fofocas “Interview”, publicada até hoje.

O estilo Andy Wahrol é instantaneamente reconhecido e, ultrapassando os famosos 15 minutos de fama que previa para cada cidadão no futuro, pode ser encontrado em sites na internet.

Eles ensinam como reproduzi-lo: Andy pintava grandes telas com fundos, lábios, cabelos e sobrancelhas bem acentuados e transferia, por serigrafia, as imagens para as telas.

Velvet Underground

Warhol foi o produtor do grupo de rock Velvet Underground, formado então por Sterling Morrison, Maureen Tucker, John Cale, Lou Reed e o cantor alemão Nico.

Patrocinou a compra dos instrumentos, encontrou local para ensaios e “contaminou” a banda com sua aura e magnetismo.

Produziram juntos o espetáculo “Exploding Plastic Inevitable”, com os filmes do artista sendo exibidos ao som da música do grupo. Os Velvets entraram para a História em 17 de novembro de 1989, quando o movimento que derrubou o comunismo foi batizado como “Velvet Revolution”.

Funeral performático

Andy Warhol era católico bizantino praticante e atendia, como voluntário, moradores de rua de Nova York.

Ia à missa quase todos os dias, segundo o pároco da Saint Vincent’s, igreja que frequentava.

Morreu dormindo em consequência de um ataque cardíaco, em 22 de fevereiro de 1987, após uma cirurgia para extirpar a vesícula.

No caixão de bronze com detalhes dourados, Warhol vestia um terno de cashmere preto, gravata elegante, peruca platinum blonde e óculos de sol.

As mãos seguravam um livro de preces e uma rosa vermelha.

O enterro foi no St. John the Baptist Byzantine Catholic Cemetery, nos arredores de Pittsburgh.

Antes do caixão baixar à sepultura, Paige Powell jogou um exemplar e uma t-shirt da Interview e um frasco “Beautiful”, de Estee Lauder.

Ao terminar este texto, não mais que de repente, aconteceu um insight – seria a arte de Andy Wahrol uma espécie de catarse da criança interior solitária acometida da doença de São Guido e da despigmentação de alguns locais do corpo?

****************

Procurei para você as 231 obras de Andy Wahrol. Clique aqui:

https://www.wikiart.org/pt/andy-warhol/all-works#!#filterName:all-paintings-chronologically,resultType:masonry

Deixe uma resposta

- Publicidade -
- Publicidade -

Latest News

Musical sobre vida e obra de Cazuza estreia nova temporada do RJ

"Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical" faz sua segunda temporada no Teatro Cesgranrio, Rio Comprido (RJ)

More Articles Like This

- Publicidade -