Clovis Bornay, ícone do carnaval carioca

Suas fantasias são expostas constantemente pelo Brasil e algumas já pertencem ao acervo de museus na Europa e nos Estados Unidos

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Vencer concursos de fantasia nunca foi novidade para Clóvis Bornay que era, e continuará sendo, sinônimo de Carnaval Carioca e símbolo da alegria da Cidade Maravilhosa. Ano após ano, sua imagem colorida e triunfal alegrava os espectadores do Sambódromo.

Clovis Bornay, ícone do carnaval carioca
Clovis Bornay, ícone do carnaval carioca – Reprodução

Caçula de doze irmãos, Clóvis nasceu em 10 de janeiro de 1916 em Nova Friburgo (município da região serrana do Rio de janeiro), filho de mãe espanhola e pai suíço. Em 1928, ainda menino e frequentador dos bailes do Fluminense Futebol Clube, manifestou uma grande vocação de folião.

Bornay de “Príncipe Hindu” – Reprodução

Em 1937, inspirado nos bailes de máscaras dos carnavais de Veneza convenceu o então diretor do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Silvio Piergilli, a instituir um Baile de Gala em que fantasias de luxo seriam premiadas. Diante dos deslumbrados membros do júri do concurso, Clovis se apresentou de “Príncipe Hindu” e ganhou o primeiro lugar.

Juventude, beleza e disposição não eram suficientes. Bom gosto e criatividade igualmente contavam pontos. Mais tarde, as fantasias foram agrupadas por categoria: luxo e originalidade. Em 1953, com um original Arlequim, dividiu o prêmio com Zacharias do Rego Monteiro, que vestia um de seus belíssimos e tradicionais pierrôs.

O maior concorrente de Bornay no Municipal era, entretanto, o costureiro baiano Evandro de Castro Lima. Artistas como Jésus Henriques, Mauro Rosas, Wilza Carla, Marlene Paiva., Guilherme Guimarães, Flavio Rocha, Marcos Varella e tantos outros criaram, confeccionaram ou vestiram fantasias que eram verdadeiras joias.

O baile do Teatro Municipal resistiu até 1972. A plateia era coberta por estrutura de madeira revestida de compensados e o piso ficava na altura dos camarotes. Ali brincavam cerca de oito mil foliões. No dia seguinte à festa noturna, acontecia o baile infantil, quando também era realizado um concurso de fantasias.

 FOTO:BARRETO/AE - Crédito:Pendente/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:5027
Brasil, Rio de Janeiro, RJ. O museólogo e carnavalesco Clóvis Bornay em um concurso de Fantasias. Bornay era figura marcante em todos os concursos que de tanto ganhar foi considerado hors concours, concorrente de honra não sujeito à premiação. FOTO:BARRETO/AE – Crédito:Pendente/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:5027

Os primeiros carnavais

A introdução do carnaval ao Brasil é atribuída às celebrações populares para comemorar a chegada da Família Real Portuguesa.

Reprodução

Os já festeiros cariocas saíram às ruas cantando músicas, usando máscaras e fantasias. O registro do primeiro baile carnavalesco no Brasil é de 1840, no Hotel Itália, por iniciativa dos proprietários, que desejavam reproduzir aqui os grandes bailes de máscaras do carnaval da Europa.

O sucesso foi tão grande que muitos outros se seguiram. O carnaval era o espelho da desigualdade social na sociedade brasileira. Nos clubes e teatros estava a classe média emergente, nas ruas, ao ar livre a festa popular.

Um novo elemento foi agregado para abrilhantar a festa: o desfile dos carros alegóricos, depois incorporados pelas escolas de samba. O escritor José de Alencar foi o idealizador dos desfiles e um dos fundadores da Sociedade Sumidades Carnavalescas.

O ”Abre Alas” foi a primeira música especialmente composta para carnaval, por Chiquinha Gonzaga, para o Cordão Rosa de Ouro.

O século 20 traz também os mascarados, o lança-perfume, as batalhas de confete e os bailes infantis.

Em 1928, foi fundada a primeira escola de Samba “Deixa falar” e, logo depois, a Mangueira. Os primeiros desfiles começam em 29 e foram realizados na Praça Onze até 1942, quando passaram para a Avenida Presidente Vargas.

Carnaval do Quarto Centenário

A partir de 1963, as escolas assumem a posição de maior atração do carnaval carioca e, em 1965 – Carnaval do 4º Centenário – Clóvis Bornay surge triunfal fantasiado de Estácio de Sá, o fundador da cidade.

Os bailes de fantasia do Iate Clube (“Baile do Havaí”), do Hotel Copacabana Palace e os concursos de fantasia do Clube Federal, no Leblon e do Clube Monte Líbano, na Lagoa ainda resistiram por algum tempo.

Depois de ter recebido a distinção de “hors concours”, que lhe concedeu o direito de se apresentar em qualquer concurso de fantasias sem ser julgado, a arte de Clóvis Bornay chegou à Passarela do Samba. Ele foi o carnavalesco da Portela em 1969 e 1970 e da Mocidade Independente em 1972 e 1973.

A partir daí as fantasias de luxo foram para o asfalto, passaram a ser destaques, apresentadas por artistas e figuras populares da cidade.

Em 1974, o desfile das escolas de samba passa para a Avenida Rio Branco, por causa das obras do metrô. Fica lá até 1984, quando foi inaugurado o sambódromo, onde as escolas desfilam até hoje.

Museólogo – trabalhou no Museu Histórico Nacional e em outras entidades culturais – morador da Prado Junior, em Copacabana, esta doce figura era uma atração diária da paisagem carioca.

Suas fantasias, verdadeiras obras de arte, são expostas constantemente pelo Brasil e algumas já pertencem ao acervo de museus na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1996, Clóvis Bornay recebeu da Assembleia Legislativa a Medalha Tiradentes, honraria concedida a personalidades que, de alguma forma, tenham prestado serviços ao Estado do Rio de Janeiro.

Ele nos deixou no dia 9 de outubro de 2005, aos 89 anos, vitimado por uma parada cardiorrespiratória.

Bornay como Pedro Alvares Cabral em evento realizado no Palácio do Catete.

Curiosidade: trecho de transmissão do carnaval carioca

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