Remontagem do espetáculo “O Princípio de Arquimedes” estreia no Rio de Janeiro

Texto do premiado autor catalão conta com mais de 20 montagens em todo o mundo e mostra como o gesto de carinho de um professor de natação infantil para com um de seus alunos, gera uma onda de medo e preconceitos.

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Em comemoração aos 10 anos de seu primeiro espetáculo (“Matador”, de 2012), a Lunática Companhia de Teatro traz novamente aos palcos um dos trabalhos mais marcantes do seu repertório: “O Princípio de Arquimedes”, texto premiado do autor catalão Josep Maria Miró, um dos mais importantes nomes na dramaturgia contemporânea mundial. A peça estreou em 2017 e teve bem-sucedidas temporadas, arrancando elogios da crítica e do público.

A atriz Helena Varvaki tem desempenho marcante no papel de Ana, Diretora de uma escola de natação que enfrenta os seus próprios fantasmas ao se deparar com uma suspeita de abuso por parte de um dos seus professores. Sávio Moll interpreta David, pai de um dos alunos, que, alertado por uma mensagem numa rede social, decide cobrar uma atitude da direção da escola. Ao lado deles, na nova montagem, dois nomes da nova geração de atores: Rafael Canedo (Rubens, professor que vê a sua integridade sob suspeita após um gesto de aparente carinho com um de seus alunos) e Rodrigo Salvadoretti no papel de um dos mestres, cuja amizade com Rubens é colocada à prova, contaminada pela sombra da dúvida.

Conhecido por suas atuações em séries de TV – como “Pé na Cova” e “Brasil a Bordo”, ambas de Miguel Falabella – Rafael Canedo tem diversas peças de teatro no currículo, tendo sido indicado ao prêmio CESGRANRIO na categoria de Melhor Ator com o espetáculo ‘O estranho caso do cachorro morto’, de 2014, com direção de Moacyr Góes. Rodrigo Salvadoretti é ator e cantor, e tem se destacado na cena musical, atuando em espetáculos como “Merlin & Arthur – um sonho de liberdade” com direção de Guilherme Leme Garcia (pelo qual ganhou o Prêmio de Ator Revelação pelo portal Musical.Rio) e no infantil “Raulzito Beleza”, com direção de Diego Moraes, trabalho que lhe rendeu uma indicação a Melhor Ator no Prêmio CBTIJ.

O Princípio de Arquimedes foi vencedor do Premio Born de Teatre 2011, estreou com direção do autor em 2012, como parte do Festival Grec 2012 (através do prêmio de montagem do Institut del Teatre de Barcelona), tendo sido considerado espetáculo revelação. Recebeu quatro indicações ao prêmio Butaca 2012 (melhor texto, espetáculo, atriz e cenografia). A montagem da Lunática Cia. de Teatro estreou em 2017, com direção de Daniel Dias da Silva. Foi a primeira vez que um texto do premiado autor foi produzido no Brasil e foi apresentada na FITA – Festa Internacional do Teatro de Angra dos Reis. A peça ganhou duas adaptações para o cinema, uma na Espanha, com direção de Ventura Pons, com o título de “El Virus de la Por” (em português, “O Vírus do Medo”) e outra no Brasil, com o título de “Aos Teus Olhos”, sob direção de Carolina Jabor.

Sinopse

No espaço asséptico e clorado do vestiário de uma escolinha de natação, desenrola-se a ação de O Princípio de Arquimedes – onde quatro personagens discutem sobre o significado e as consequências de um beijo que o professor Rubens (Rafael Canedo) dá em um dos seus alunos. Este simples fato faz vir à tona medos, preconceitos e fantasmas íntimos e coletivos, levando o público a confrontar-se com seu próprio julgamento diante daquela situação e a tomar partido sobre que modelo social e educativo desejamos.

O autor Josep Maria Miró apoia a trama de O Princípio de Arquimedes no ritmo vertiginoso da circulação das informações dos dias atuais, aguçando a atenção do público, que vai acompanhando a construção da história, ou de versões da verdade, como num quebra-cabeças, entre idas e vindas na cronologia da narrativa, levando a um final surpreendente . O espectador sai do seu lugar de conforto e forma o seu próprio julgamento. Característica que, de imediato, capturou o diretor Daniel Dias da Silva, que também assina a tradução e a produção.

“O espectador é provocado a cada cena, estimulado a uma reflexão sobre o mundo que queremos e o modelo de educação que desejamos”, destaca. Ele também ressalta a pertinência de voltar aos palcos com a peça quase cinco anos após a sua estreia: “a peça fala do poder corrosivo do medo dentro da sociedade e de como ele pode ser um instrumento de opressão, de controle. Vivemos num mundo cada vez mais vigiado, armado e com mais informação circulando, no entanto, vivemos cada vez com mais medo e perdidos. As redes sociais se tornaram uma ferramenta a serviço da desinformação, da intolerância e de condenação sumária, a verdade já não importa, o que importa é a sua opinião. Se, na época em que estreamos, o texto soava como um alerta, hoje em dia, vemos essa realidade potencializada no nosso cotidiano”, conclui Daniel Dias da Silva.

A Lunática Cia. de Teatro e da Territórios Produções Artísticas, destacam-se na cena teatral carioca com espetáculos elogiados, focando em autores contemporâneos que buscam refletir o mundo e a sociedade onde vivemos. O primeiro espetáculo do grupo foi Matador (2012), do venezuelano Rodolfo Santana, sob direção de Susana Garcia e Herson Capri. No currículo, contam ainda com Esse Vazio (2016), do argentino Juan Pablo Gómez, direção de Sergio Módena, e O Cego e o Louco (2019), de Claudia Barral, com direção de Gustavo Wabner.

Para comemorar os dez anos da companhia, será lançada uma coletânea com quatro textos do autor Josep Maria Miró, pela Cândido Editora. Além de O Princípio de Arquimedes, o livro traz, ainda os títulos Nerium Park (montado em 2018, com direção de Rodrigo Portella) e os inéditos Tempo Selvagem e O Corpo Mais Bonito Jamais Visto Neste Lugar. Todos os textos têm tradução de Daniel Dias da Silva.

Lunática Cia. de Teatro comemora 10 anos com remontagem do elogiado espetáculo “O Princípio de Arquimedes” e lança coletânea de textos do autor
Foto: Zero8onze (Fernando Cunha Jr.)

Ficha Técnica “O Princípio de Arquimedes”

  • Autor: Josep Maria Miró – XXXVI Prêmio Born de Teatro (Espanha)
  • Direção e Tradução: Daniel Dias da Silva
  • Elenco: Helena Varvaki (atriz convidada), Rafael Canedo, Rodrigo Salvadoretti e Sávio Moll
  • Cenografia: Cláudio Bittencourt
  • Figurinos: Victor Guedes
  • Iluminação: Walace Furtado e Vilmar Olos
  • Assistência de Direção de Remontagem: Pedro di Carvalho
  • Direção de Movimento: Sueli Guerra
  • Design gráfico: Gamba Junior
  • Cenotécnico: André Salles
  • Direção de Palco: Renato Rodolfo
  • Fotos e imagens: Zero8Onze (Fernando Cunha Jr.)
  • Assessoria de Imprensa: Bernadete Duarte
  • Produção Executiva: Bruno Jahu
  • Direção de Produção: Daniel Dias da Silva

 

Serviço:

  • Temporada: 14 de Março a 25 de Abril – Segundas 20h
  • Teatro PetraGold – Rua Conde de Bernadote, 26 (Leblon)
  • Rio de Janeiro – RJ – Telefone: (21) 2529-7700
  • Classificação etária: 16 anos.
  • Duração: 90 minutos. Lotação: 400 lugares
  • Ingressos: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia)
  • Venda pela Internet: http://www.teatropetragold.com.br
  • Ingressos gratuitos para pessoas de baixa renda disponíveis no site: http://www.eufacocultura.com.br
  • Todos os protocolos sanitários obedecidos.
  • Entrada apenas com a apresentação de carteira de vacinação atualizada.
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