Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922

Este período da História da Arte viria a se completar a partir dos anos 60 com os trabalhos dos vanguardistas: o Fauvismo, o Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo e, mesmo, o Surrealismo

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No final do século 19 e início do século 20, os novos artistas europeus começaram a romper os paradigmas dos Mestres do passado. A Teoria da Relatividade e a Psicanálise foram um reflexo dessa mudança.

Centenário da Semana de Arte Moderna de1922
Semana de Arte Moderna de1922 – Reprodução

Historiadores identificam o início da Arte Moderna com a chegada do Impressionismo, do Fauvismo, do Cubismo e a popularização da escultura africana e da arte oriental.

"Les Demoiselles d'Avignon"
“Les Demoiselles d’Avignon” – Pablo Picasso (Reprodução)
O grupamento das tendências se materializa com “Les Demoiselles d’Avignon” (foto), de Pablo Picasso, considerada como obra ponto de partida do Cubismo.
Este período da História da Arte viria a se completar a partir dos anos 60 com os trabalhos dos vanguardistas: o Fauvismo, o Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo e, mesmo, o Surrealismo.
Graça Aranha – Reprodução

Fevereiro de 1922 – Aproveitando o centenário das comemorações do Independência, a chamada Semana de 22- uma exposição no Teatro Municipal de São Paulo, com cerca de cem obras e três encontros literários cercados de reações negativas do público – foi a primeira manifestação coletiva pública dessa mudança na história cultural do Brasil.

Participaram, entre outros, os escultores Victor Brecheret, Wilhelm Haarberg e Hildegardo Velloso; os arquitetos Antônio Moya e Georg Przyrembel; os escritores e poetas Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, Renato de Almeida, Ronald de Carvalho, Tácito de Almeida, Manuel Bandeira, com a leitura do poema Os Sapos,  e o Maestro Heitor Villa Lobos, que teve suas composições interpretadas por Guiomar Novaes e Hermani Braga.
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Debates sobre a necessidade de renovação no  campo das artes já se realizavam desde os anos 10 do século passado.

Textos publicados em revistas especializadas e a exposição de Anita Malfatti, em 1917 mostram que a Semana não foi manifestação isolada e desprovida de propósito.
Bem-aventurança (Os pacificadores), de Anita Malfatti, 1954-55 [Coleção Particular - Campinas, SP]
Bem-aventurança (Os pacificadores), de Anita Malfatti, 1954-55 (Reprodução)
Intelectuais do porte de Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia pensaram a possibilidade de aproveitar as comemorações do centenário da Independência para alavancar um movimento de “emancipação artística”.

Paulo Prado - Reprodução
Paulo Prado – Reprodução

A Semana de Festejos de Deauville (na França) serviu como modelo e o mecenas Paulo da Silva Prado, da tradicionalíssima família paulista, tornou o projeto realidade,conseguindo que outros “barões do café”, através de generosas doações, encampassem a ideia.

Foi Paulo Prado que convenceu Graça Aranha a aderir à causa.  Romancista famoso e recém-chegado da Europa, sua presença foi fundamental para avalizar as propostas dos jovens e desconhecidos modernistas.

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Terminado o evento, a Semana ficou caracterizada  mais como tentativa de romper com o conservadorismo existente na literatura, música e artes visuais  do que como criação de nova “linguagem”. Nota-se, com a perspectiva do tempo, a presença do ideal futurista na sociedade já inserida no contexto científico.
Cartaz colocado no Theatro Municipal anunciando a Semana - Reprodução
Cartaz colocado no Theatro Municipal anunciando a Semana – Reprodução

Durante sua conferência  na tarde de 15 de fevereiro de 1922, Oswald de Andrade faz uma das primeiras formulações de ideias estéticas e modernas no Brasil.

Esta conferência, desenvolvida em forma de ensaio, foi publicada em 1925 com o nome de “A Escrava Não É Isaura”.

Diz um crítico literário sobre a obra: “O autor entrevê a importância de moderar a importação de estética moderna que se opõe ao nativismo, movimento de retorno às raízes da cultura popular brasileira”

Nos anos seguintes à Semana, a questão da dinâmica entre o que é nacional e o que é importado foi a principal preocupação dos artistas que participaram do movimento.

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Gostaria de terminar o texto sobre a Semana de 1922 citando o chamado Salão Revolucionário, ou a  38ª Exposição Geral de Belas Artes ou o Salão de 1931, sua consequência lógica e ,para isso, utilizando como fonte texto do site do itaú Cultural:

Abaporu-Tarsila do Amaral 1928
Abaporu -Tarsila do Amaral – 1928 – Reprodução

“É como Salão Revolucionário que fica conhecida a 38ª Exposição Geral de Belas Artes de 1931, em razão de ter abrigado, pela primeira vez, artistas de perfil moderno e modernista. 


Realizado no curto período de Lucio Costa na direção da Escola Nacional de Belas Artes – Enba, de 1930 a 1931, o Salão Revolucionário sinaliza o esforço do arquiteto de modernizar o ensino de arte no país e de abrir as mostras oficiais, até então dominadas pelos artistas acadêmicos, à arte moderna

 A própria composição da comissão organizadora do Salão, a partir de então, indica sua vocação renovadora: além de Lucio Costa, Manuel Bandeira (1886 – 1968), Anita MalfattiCândido Portinari e Celso Antônio, todos ligados ao movimento moderno“.

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